No Brasil, 1 em cada 3 adultos vive com obesidade. Mais de 68% da população tem excesso de peso e as projeções para as próximas décadas são alarmantes. Para o cirurgião digestivo e bariátrico Dr. Leandro Nóbrega, especialista com mais de 12 anos de experiência e referência no Nordeste, o maior risco não está apenas nos números — está no tempo perdido. Adiar o tratamento da obesidade pode custar anos de vida.

A obesidade é uma doença crônica multifatorial, que compromete o metabolismo, os hormônios, o sistema cardiovascular, a respiração e o bem-estar emocional. Com o passar dos anos, os danos se acumulam silenciosamente — e o risco de morte aumenta. Dados do Atlas Mundial da Obesidade 2025 apontam que 31% dos brasileiros convivem com a doença, e o excesso de peso (sobrepeso mais obesidade) já atinge 68% da população. Entre crianças de 5 a 9 anos, a obesidade infantil afeta 12,9% — um dado que projeta um cenário ainda mais grave para as próximas gerações.

“A obesidade é uma doença progressiva. Cada ano que passa sem tratamento adequado é um ano em que o organismo acumula mais danos”, afirma Dr. Leandro Nóbrega. “Entre 60% e 90% dos portadores de diabetes também têm obesidade. A doença está diretamente ligada ao aumento da mortalidade, da hipertensão e de outras condições que encurtam a vida. Tratar a obesidade é ganhar tempo — e qualidade de vida.”

Para o médico, um dos maiores equívocos em torno da obesidade é a crença de que a cirurgia bariátrica deve ser o último recurso, utilizada apenas quando tudo mais falhou. Segundo o especialista, a bariátrica é uma ferramenta terapêutica de alta eficácia — indicada para casos específicos, avaliados criteriosamente em equipe multidisciplinar — e seus benefícios vão muito além da perda de peso.

Por exemplo, a cirurgia realizada por videolaparoscopia — técnica minimamente invasiva e que reduz drasticamente os riscos e o tempo de recuperação — traz para o paciente a remissão de doenças associadas à obesidade, como diabetes e hipertensão, a diminuição do risco de mortalidade, o aumento da longevidade e a melhoria na qualidade de vida.

Cuidar do peso é só o começo

Embora não tenha cura, a obesidade tem tratamento — e ele não termina com a cirurgia. Dr. Leandro Nóbrega reforça que o sucesso no longo prazo depende de acompanhamento contínuo e multidisciplinar. Sem esse suporte, o paciente pode enfrentar reganho de peso, deficiências nutricionais, desequilíbrios hormonais e recaídas comportamentais.

“A implementação de hábitos alimentares saudáveis, atividade física regular e disciplina são fundamentais, independentemente da escolha da cirurgia”, explica o cirurgião. O tratamento envolve psicólogos, nutricionistas, endocrinologistas e o cirurgião bariátrico — cada um com papel essencial na jornada do paciente. Quando necessário, o tratamento de compulsões alimentares também integra o plano terapêutico.

“A cirurgia bariátrica deve ser encarada como uma possível solução para indivíduos que não conseguiram êxito no emagrecimento ou se encontram em situação de risco de saúde”, conclui o Dr. Leandro.